Silvia Poppovic, Ronnie Von e Atum Delicioso. Aqui, Caso Interessante.

Aproveitando o gancho do encontro de Simpatias – Ronnie Von/Silvia Poppovic, há pouco, na TV Gazeta, posto novamente texto meu contando divertido caso com ela e meu saudoso irmão Beto. Sílvia preparou no Ar, formidável receita de Atum, com purê de batata;  primeiro prato, salada.

Há algum tempo Fernando Pawwlow, que prefere ser chamado simplesmente de Pawwlow,  um dos leitores mais fiéis e atentos do Trombone, vem insistindo para que eu publique  os  casos que conheço de jornalistas, políticos, artistas  e ainda passagens corriqueiras, porém curiosas, da minha vida, de amigos e conhecidos.

Na verdade, já tenho uma categoria (capítulo) no blog Intitulada Casos.  Ou seja, o que preciso mesmo é revigorar/reinaugurar essa área do blog.  Já citei esse fato, a sugestão do Pawwlow; se  quiser ler, clique aqui

Para marcar essa nova etapa da Categoria Casos, descrevi recentemente   dois episódios dos tempos de Faculdade   que tiveram Silvia Poppovic como protagonista.  Ela leu a primeira versão, sugeriu mudanças ínfimas;  enviei-lhe  o novo texto que foi aprovado sem qualquer reparo.

Embora já tenham me ocorrido episódios novos para narrar, um inclusive a partir da troca de emails com o próprio Pawwlow,  vou usar de pequeno artifício para alimentar a reinaugurada seção de casos.

Logo no primeiro mês de vida do Boca, publiquei uma meia dúzia de contos e ainda, em um único post,  para o qual dei o nome de Cenas, cerca de 20, 25 histórias rápidas e despretensiosas (aliás, tudo que escrevo aqui é despretensioso – essas historinhas, mais ainda).  Pois bem, vou subtrair esse post do Blog e voltar a colocar esses casos um a um.  Não para encher lingüiça, mas para valorizar cada episódio  o quanto  ele merece.

Se quiser, antes de começar a leitura, dê uma olhada no blog do Pawlow, clique aqui

Como foi dito, o primeiro episódio tem Silvia Poppovic como protagonista.  Lá vai.

A Sílvia Poppovic de Sempre

Sílvia Poppovic sempre foi a Sílvia Poppovic que você conhece.  Meu saudoso irmão Beto, Antônio Roberto Sampaio Dória, você não conheceu,  mas quase todos os profissionais do Direito das décadas de 60,70, 80 e comecinho de 90 o conheceram:  com 26 anos, era Professor do Largo São Francisco e com 32, salvo imenso engano meu, tornou-se o mais jovem catedrático da Universidade de São Paulo.

O Beto era muito inteligente, obstinado,  mas ia fazer uma brincadeira e a coisa virava  desastre.  Entretanto,  nas ocasiões  decisivas e até perigosas,  que já enfrentamos juntos, saía-se bem e, por incrível que pareça,  com muito  humor.

Eu era o irmão  homem caçula, o queridinho do Beto,   que também  era meu padrinho de batismo.  Talvez ele nos visse trabalhando juntos nos diversos poderosos escritórios de advocacia dos quais foi sócio a vida toda.

Mas eu decidi fazer jornalismo e, quem sabe,  isso o tenha frustrado um pouco.

Na ECA, Escola de Comunicações e Artes,  quiçá em toda a Cidade Universitária, e até mesmo na USP inteira,   Ramio  era o xodó.   Muito, mas muito culto mesmo com seus   apenas 20 anos de idade, também se destacava na liderança do  Movimento Estudantil que  estava ressurgindo.    Cabelos longos até os ombros e barba,   Ramio  tinha o visual  hippie, tão em moda na época.  Não só o visual, como razoável   aversão a banhos, faziam dele um semi-hippie, já que morava com a  família muito bem estruturada, pai médico,   e sempre chegava à Faculdade de Carro.

Sílvia Poppovic também estudou na minha turma e de Ramio.   Aliás, eu já havia sido colega de classe  da Sílvia no terceiro colegial,  no  Equipe.

Característica da Sílvia sempre foi a espontaneidade,  falar o que lhe desse vontade.

Outro parêntese, Sílvia tinha uma definição muito boa.  Dizia ela:

– Guiar, escrever à máquina (hj seria operar computador) e falar inglês não são méritos.  É obrigação.

Graças a Deus e ao meu esforço, sei todas as quatro, já que até  curso de datilografia eu fiz.  Meu pai acrescenta ainda nadar, como indispensável. Concordo.

Voltando, em 1975, no meu aniversário,  Sílvia e meu saudoso irmão Beto travaram uma boa polêmica, exatamente a respeito da profissão de jornalista.   Na hora do Bolo, um delicioso bolo de chocolate,   Beto  dá um prato para a Sílvia.  Divertindo-se, ela diz que não iria comer o bolo que ele havia cortado  e que tampouco  qualquer  colega de faculdade  aceitaria aquele pedaço.

Beto passou o bolo para outro amigo meu que ele já conhecia há muitos anos e sabia não ser da turma da Sílvia.

Comentei esses dias com a Sílvia e ela disse que deve ter sofrido, já que sempre adorou bolo de chocolate.  Aí, eu disse  que ela comeu outro pedaço de bolo, cortado por outra pessoa.

Voltando ao nosso líder  da USP.

Um dia Ramio aparece na faculdade, com seus longos cabelos molhados,   cara de quem havia saído do chuveiro momentos antes.

Sílvia fala:

–  Que bonitinho,  camisa branquinha, macacão passado…

E não pensa duas vezes.

Encosta a cabeça no ombro de Ramio, com o nariz virado para baixo e anuncia:

– Hum…!!! Está até cheirosinho!!!

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Quando mandei o texto para Sílvia aprovar, ela disse que eu devia ter colocado o nome inteiro do Râmio, ao invés de protegê-lo.

Eu acho melhor deixar desse jeito e tenho certeza de que ela também vai aprovar.  Assim, apenas eu, ela, o próprio Râmio e os outros poucos que presenciaram a cena vão saber de quem se trata.

Prejudicial à Saúde!

Em tratamento com médico gastro, fui proibido de tomar cerveja por uns três meses.  Sexta-feira,  ele  disse que podia voltar beber cerveja.  Comprei Heineken, a minha preferida; estava perfeita, gelada no ponto certo.  Pois não é que  a cerveja  me causou ataque de soluço de enlouquecer; coisa que nunca me aconteceu na vida.

Conclusão óbvia: parar de beber faz mal para  a saúde.

Será que Brasileiro se Orgulha do Complexo de Vira-lata? Parece que sim.

Não bastasse o Halloween, agora o Black Friday.  Mas como o brasileiro se orgulha de ser Portador do Complexo de Vira-lata.

Complexo de Vira-lata  é o sentimento de inferioridade do Brasileiro em relação a Estados Unidos e Europa, “tradução”/definição  livre minha  do termo de Nélson Rodrigues.

Quiser ler mais sobre Complexo de Vira-lata, clique

Marcelo Adnet, Gênio?

Sempre disse que conheci apenas um gênio na minha vida.  Talvez esteja conhecendo outro, pela televisão, mas  estou conhecendo.

Trata-se de Marcelo Adnet.  O homem é muito  engraçado e faz de tudo, é ator, comediante, roteirista e apresentador.  Hoje, na abertura do programa Adnight, cantou o Hino da Bulgária e, ao mesmo tempo, fez embaixadinhas.  Talvez tenha errado a letra, mas não deixou a bola cair durante uns dois minutos, que durou a música.

Parabéns para ele,  sua formidável mulher Dani Calabresa.  E para os pais da fera, naturalmente.

Se quiser saber sobre o outro gênio que conheci, clique

Há dinheiro que pague

A proposta era fazer texto, prosa ou poesia, usando anáfora – “repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases, de membros da mesma frase, ou de dois ou mais versos” Lá vai meu conto, cheio das minhas idiossincrasias.

Sou redator de publicidade, ganho dois milhões  por mês.  Tenho ojeriza a chavões e terminhos da moda. Só de pensar,  taquicardia.

A Microsoft  contratou a agência onde  trabalho para a campanha do novo  smarthphone  para   adolescentes.

Adivinha um, a dupla escolhida  foi a minha.

Adivinha dois,  o briefing traz as palavras chaves  que, obrigatoriamente,  deverão ser usados: expressões batidas, nada além de expressões batidas.

Sou redator de publicidade, ganho dois milhões  por mês.  Tenho ojeriza a chavões e terminhos da moda. Só de pensar,  taquicardia.

Veja as palavras.  Vou me limitar a copiar e colar para não ter que escrever, pois, como você  sabe, sou redator de publicidade, ganho dois milhões  por mês.  Tenho ojeriza a chavões e terminhos da moda. Só de pensar,  taquicardia.

Aliás, vou pedir para minha secretária fazer isso, já que não consigo, sequer,  olhar para as malditas palavras e expressões.

Ela fez:

•    Poderosa

•    Diferenciados

•    Tal coisa  é a minha cara•

Tudo de Bom

  • •    Bombar

•    Eventos

•    Rolar, no sentido de acontecer

•    Galera

•    Caiu a fixa

  • Ninguém merece
  • Menos é mais                                                                                                                             E, obrigatoriamente, no anúncio para televisão,  um dos jovens que aparece, ao invés de falar “liga pra mim, mais tarde”, faz o gesto de  botar o dedão no ouvido e o minguinho na boca.  Deveriam cortar a mão de quem faz esse gesto, como disse conhecida minha.  Sempre odiei isso.  Quando a ouvi se expressar com tal  veemência,  fiquei em êxtase.

Mas achei solução, afinal trabalho com criação, essa rima ficou bonitinha, não ficou?

Combinei com o diretor de arte que ele faria o trabalho  com redator amigo nosso de outra  Agência de Publicidade.  Os dois aceitaram e me prometeram  sigilo absoluto.  Como teriam que trabalhar fora do expediente, prometi quinhentos mil reais para cada um.

E mais, programei viagem para nossa filial no Rio de Janeiro,  exatamente no dia da apresentação da campanha para o cliente.

Afinal, sou redator de publicidade, ganho dois milhões  por mês.  Tenho ojeriza a chavões e terminhos da moda. Só de pensar,  taquicardia.

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Na verdade, o texto acima é uma colagem de dois outros já postados aqui: Rico Vocabulário e Rico Vocabulário 2. Também há texto aqui sobre fabulosa peça de Lúcio Mauro Filho em que ele passa o espetáculo inteiro só falando Clichês.  Quiser ler e assistir a um trecho, clique

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Esses tópicos ficaram meio fora de ordem por culpa do blog e não por falta de tarimba minha para trabalhar com ele, afinal já são mais de 10 anos.

 

Dia da Consciência Negra – Frase e Piada

Existem aqui no Trombone alguns textos dos quais gosto muito e que postaria todos os anos, na época oportuna, mas não faço.

Não sei  porque  apenas abro exceção  para dois.  Um, às vésperas da Parada Gay e outro contendo frase a respeito do Dia Da Consciência Negra.

Acho legal a ideia de se ter um dia em homenagem aos negros. Sou a favor da emancipação das minorias e talvez o começo seja esse mesmo – um simples dia no calendário dedicado a esses grupos oprimidos. Mas a frase é bem legal, quem me passou foi o Saudoso Zé Rodrix.  Ele disse que a frase foi feita por um grupo de amigos, entre os quais um negro.  Lá vai:

“Inventaram UM dia da Consciência Negra só para deixar a negrada inconsciente o resto do ano”

Ocorreu-me também piada de domínio público a respeito do assunto.  Aliás, piada que brinca com a falta de consciência negra do mais importante ídolo do esporte. Lá vai.

Um negro  consegue driblar toda a burocracia; finalmente, é recebido por Pelé.   Com paciência e generosidade, Pelé escuta todos os preconceitos e discriminações de que o outro estava sendo vítima. Paternalmente,  Pelé tenta confortá-lo:

– Eu entendo bem o seu problema, meu filho.  Eu também já fui preto.

Sem querer lavar as mãos,  tanto a piada  quanto à frase não são minhas. Gostando ou não da frase, da piada,  do meu post, enfim,  mais uma vez,  este Trombone abre  canal para quem quiser se manifestar sobre o tema.

De qualquer forma, Feliz Dia da Consciência Negra para todos, sejam sua consciência e sua pele da cor que forem!

É de se lastimar apenas que esse ano tenha caído no domingo e, assim, perdemos um feriado.

Aquecimento Global, Cadê?

Que raio de Aquecimento Global é esse que me obriga a usar malha  à tarde em casa e dormir com acolchoado de ontem para hoje,  em tempos “de quase dezembro”.*

Três  pontos a destacar:

  • Trata-se de apenas um questionamento, uma vez que para mim, a temperatura é sempre a ideal: se está frio, ponho a malha e, perfeito; esquentou um pouco tiro a malha e, mais uma vez, perfeito.  Óbvio que se estiver pelas ruas, montanhas e bosques do Canadá em Janeiro, vou sentir frio; nas praias do Nordeste, no verão, sinto calor.
  • Lógico que não estou aqui tratando o tema  com a seriedade que ele merece.
  • “Quase dezembro” entre aspas porque é da música Alegria  Alegria de Caetano Veloso no Festival de Música Brasileira de 1967  Quiser ouvir, clique.  É o máximo.  Ele e Gil introduziram Guitarra Elétrica na MPB nesse Festival. Ouça  Gil, Domingo no Parque, com os Mutantes, de Rita Lee

Curioso, post começou com assunto árido e terminou com músicas maravilhosas.  Dá pra discordar?

Barbárie Instaurada! E que se Danem seus Direitos Fundamentais!

Lembra-se, você aprendeu que substantivo abstrato era algo que  não se  pode ver, nem tocar? Pois bem,  hoje cachorros do meu prédio latiram compulsivamente por  cerca de uma  hora seguida.  Então, dei-me conta de que FALTA DE  EDUCAÇÃO,  muitas e muitas vezes,  é” SUBSTANTIVO”  ABSTRATO AO QUADRADO.  Entretanto, há um grave paradoxo : a FALTA DE EDUCAÇÃO da maioria é algo MUITO  CONCRETO,  pesa toneladas e  esmaga os direitos mais fundamentais do cidadão, como o direito ao sossego.

Acho que defino bem a coisa.  Seus pais e os meus nos ensinaram   ” meu filho, sua liberdade vai até onde começa o direito do próximo”.  Pois atualmente isso foi subvertido  completamente – a liberdade dos búfalos (sujeitos grosseiros – sem qualquer ofensa aos búfalos de quatro patas) é ilimitada,  e o cidadão  vai cada vez mais  vendo seus direitos fundamentais estraçalhados.

Hoje,  foi uma hora de sinfonia de latidos.  Há cerca de seis meses,  elemento,  que tomava leite na padaria, não teve dúvida.  Despejou um pouco no pratinho onde havia comido pão e deu para o cachorro lamber.  No lugar do dono da padaria, que presenciou a cena, teria pegado o pratinho jogado no chão e cobraria R$ 50,00 do vândalo.   Se o cara protestasse,  chamaria o segurança e argumentaria:

– Sem problemas.  Eu fico com a chave do seu carro,  você vai comprar um pratinho idêntico e traz aqui.  Na volta, ainda vai pagar o estacionamento.

Os búfalos só entendem quando lhes afetam seu único órgão sensível: o Bolso.

Há texto meu legal sobre essa barbárie que vem se instaurando   de maneira espetacular.  Título já é sugestivo: Educação Formal/Educação Informal.  Quiser ler, clique

Hillary, Abra esses Olhões Azuis!

Eleições para Presidente dos Estados Unidos.  Hillary Clinton firme no páreo.  Bom momento para lembrar piadinha que correu os Estados Unidos, na época Monica  Lewinsky,   :

Instituto de pesquisa americano fez enquete para saber qual o percentual da população feminina  dos EUA transaria com Bill. 77% das entrevistadas disseram:

– Outra vez? Não…

Se Hillary ganhar e tiver que ficar horas e horas no  Gabinete dela  na Casa Branca, imagine o estrago que o maridão vai promover!

Ilhado no Inferno

Maioria das salas de cinema de São Paulo,  em Shoppings Centers.  Como um deles é bem próximo de casa, você vai a pé.   Não encontra ingresso, tampouco para o filme segunda opção.  Nesse meio tempo,  desaba temporal.  E você, literalmente, preso no inferno,  impedido de ter a alegria descrita em frase minha.

“Shoppings Centers me proporcionam imensa alegria: quando saio”.

Para escrever essa notinha, gasto cerca de sete minutos.  E agora, fazer o que?

Só me resta torcer e até suplicar  para que meus ouvidos, olhos e nervos  não explodam.